biografia (resumida) de Augusto Poiares



1914 - Lisboa - 2009 


- Augusto Nunes Poiares nasceu a 30 de Abril de 1914, no segundo andar do nº21 da Rua de Santo António da Glória. Sito entre a Avenida da Liberdade e o Bairro Alto, a escassos metros da calçada onde diariamente sobe e desce o velhinho elevador da glória...

- Filho de Emília de Sousa Nunes (mãe de 3 filhos e 2 filhas) e Francisco Nunes Poiares, ajudante de veterinário e mais tarde alfaiate proprietário da "Alfaiataria Nunes" na Praça da Alegria, do qual ficaria órfão aos seis anos de idade.




- Em 1924 ingressou na Casa Pia de Lisboa (com o nº 5087) onde se formou durante 13 anos e viria a tirar o curso industrial. No colégio Pina Manique em Belém, fez recreio nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos.

- Entre 1933 e 1937 foi atleta de competição de basquetebol do C.P.A.C. (Casa Pia Atlético Clube).




- Em 1935 fez juramento de bandeira e cumpriu serviço militar na especialidade de cavalaria. Foi o número 197 do 3º esquadrão de Lanceiros II. Teve um cavalo chamado "Paxá" que era, segundo as suas palavras, "um animal maravilhoso!".

- A 21 de Junho de 1942 (em plena segunda grande guerra mundial) casou com a Dona Esperança na sua residência no número 270 da Rua de São Bento. Convidados e amigos festejaram o acontecimento com um passeio de eléctrico e um espectáculo de Revista à Portuguesa no Parque Mayer. Foram casados 66 anos.




- Foi empregado bancário, assistente de realização, figurante, actor secundário, editor, jornalista, fotógrafo amador... (a lista é longa) e entre as suas actividades preferidas destacam-se as relacionadas com o desporto e a cultura.

- Em 1955 fundou o jornal "O Casapiano" do qual foi director durante várias décadas. Foi também sua iniciativa, o programa radiofónico "A Voz do Casa Pia", que foi emitido semanalmente na onda média da Rádio Renascença até Junho de 2008.





- Foi patrono do "Lar Augusto Poiares", inaugurado em 1990 pelo então primeiro-ministro de Portugal, Aníbal Cavaco Silva.

- Nunca tirou a carta de condução, nem tão pouco teve viatura própria. Passou a sua longa vida a andar a pé ou a saltar dos autocarros e eléctricos da Carris para o Metropolitano de Lisboa, e vice-versa. Fazia exercícios de ginástica, todos os dias, pela manhã e antes de se deitar. Facto, apontado pelo próprio, como um dos segredos da sua longevidade.

- Com o passar do tempo, recebeu várias insígnias e condecorações, sendo a "Cruz de Ouro" do Casa Pia Atlético Clube que mais o orgulhava. Mais tarde, recebeu do então presidente da república portuguesa, Jorge Sampaio, o grau de Comendador (Ordem de Mérito) pela sua carreira em prol do desporto em Portugal.




(1 de Março 2006 - Palácio de Belém) 


- Teve uma filha, dois netos e um genro por quem tinha uma enorme consideração e amizade inabalável. Viu nascer e conviveu durante 5 anos com a sua bisneta Madalena, que o tratava carinhosamente por "biso".





- Escreveu e editou dois livros:
(1994) - "Memórias de um Casapiano".
(2005) - "Marcos da minha Vida".

- Em 1995 plantou uma árvore no Colégio Nuno Alvares.

- Nas últimas décadas afirmava frequentemente que o seu objectivo de vida era "durar até aos 100!". Teve uma taxa de sucesso de 94,9%, o que para os dias que correm, diga-se de passagem, é bastante positivo...

- O Sr.Poiares faleceu aos 94 anos na Associação Casapiana de Solidariedade (como era seu desejo) em Pina Manique, Lisboa, cerca das 7:30 do dia 31 de Janeiro de 2009. Choveu dia e noite, tendo havido forte temporal pela madrugada. Era, até à data da sua morte, o mais antigo dirigente desportivo português.

- No dia 1 de Fevereiro, partiu dos Jerónimos para o cemitério de Benfica. O cortejo, acompanhado por familiares; amigos e colegas de longa data, fez uma paragem no estádio Pina Manique para o último adeus do sócio nº19 do Casa Pia Atlético Clube. Era domingo e, apesar de alguns ameaços de chuva, o sol raiou durante boa parte do dia.



(Abril de 2005 - Sr.Poiares e D.Esperança no modesto rés-do-chão do bairro de Alvalade, onde viveram felizes mais de 50 anos)


- "O Augusto Poiares pôs tudo de si em tudo quanto fez. Um homem de causas e de princípios, que bebeu da Casa que o educou o amor pelo trabalho, pela amizade, pela tolerância e pela gratidão. Por onde passou, semeou amizades, lançou pontes, criou laços, e, acima de tudo, nunca renegou as suas origens".
(Adérito Tavares)

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Até sempre, Dona Esperança!..